29/03/2020 às 12h53min - Atualizada em 29/03/2020 às 12h53min

EMPREENDEDORISMO - Coluna Perfil com Jamile Santos

Cláudia Dib

Em tempos de crise e recessão é necessário muita garra e determinação para não só sobreviver, mas, se destacar entre tantos microempreendedores. Este é o caso da baiana de Jequié, Jamile Santos, uma mulher de sucesso no ramo de esmalteria, conheça um pouco de sua trajetória entre pegar ônibus as 4 horas da manhã para cursar a faculdade e ainda ter que trabalhar a noite como manicure até poder montar seu próprio salão.

Como começou sua história em Peruíbe? Eu costumava passar férias na Cidade, e com o passar do tempo eu conheci uma pessoa muito especial de família muito acolhedora e não demorou muito para que eu me mudasse de vez para cá e ele se tornasse meu marido.

Você é uma jovem empreendedora, como foi seu início? Foi praticamente no mesmo período em que fiquei em definitivo em Peruíbe, isso mais ou menos com 17 anos, já casada, eu trabalhava como manicure ainda com coisas básicas, tirava cutículas e fazia esmaltação. Eu sempre fui muito agitada e desde criança eu fazia uma coisa ou outra para ganhar meu dinheirinho (risos). Eu fazia as unhas nas casas das clientes, e um dia eu disse pra mim mesma, eu quero é ganhar dinheiro.
Lembro como se fosse hoje, tudo começou mesmo com um cheque de R$ 85,00 (oitenta e cinco reais) que eu pedi emprestado, entrei numa loja de cosméticos de um conhecido que aceitou o cheque e comprei os primeiros materiais para trabalhar. Estes oitenta e cinco reais na mesma semana viraram duzentos, que viraram trezentos e assim foi. Mesmo eu grávida, com diversas dificuldades na época, fui trabalhando e com muita determinação e o apoio do meu esposo, eu montei meu primeiro salão no bairro do Caraguava em frente a casa que morávamos.
Com o crescimento da clientela, eu resolvi ampliar o negócio, aluguei um ponto maior ao lado, equipei, coloquei porta de vidro e ar condicionado, podia até falar que era o melhor salão do bairro, mas continuava sendo um salão de bairro e eu não conseguia alcançar a clientela que eu queria. Isso me deixou um pouco frustrada, criança pequena, aquela luta, eu não estava satisfeita, resolvi mudar o foco, fui cursar engenharia.
Era uma correria terrível, eu pegava o ônibus às 4 horas da manhã e chegava às 15 horas, e eu não estava conseguindo cuidar do salão e das minhas filhas, já eram duas. Esta rotina ainda durou seis meses até que eu consegui vender o salão, e já neste momento eu me considerava uma vitoriosa, pois aos 22 anos, eu tinha conseguido montar um salão e vender a um bom preço de mercado na época.

Ser empresário no Brasil não é fácil, o que te levou a empreender na Cidade? Foi justamente a necessidade. Como eu não podia pagar a faculdade, eu fiz o Fies (programa de Financiamento Estudantil) e na volta da faculdade eu ainda trabalhava de segunda a sexta, sábado e domingo, eu só tinha o sábado e domingo a noite para ficar com as crianças, fazer minhas coisas ou ter vida social. Como eu tinha que pagar o Fies, eu tive que trabalhar mais e mais, o meu sonho de ser uma engenheira foi perdendo a graça, aquilo já não me completava mais. Sem falar do grande preconceito que há na engenharia contra a mulher. E fui trabalhar em outros salões, mas eu trabalhava como se fosse para mim mesma, com total dedicação, e isso gerava um conflito com as colegas de trabalho e uma insatisfação comigo mesma. Passando por isso duas vezes num período de dois anos mais ou menos, logo eu entendi que só daria certo estando em meu próprio salão.


São vários salões na cidade, como você lida com a concorrência tão acirrada?
No começo eu tinha medo de novamente ter um comércio, tinha medo de ter uma equipe, tinha medo de tudo, mas, maior que o medo, eu tinha a vontade de arregaçar as mangas e trabalhar muito, assim montei uma pequena equipe.
Já a concorrência não me incomoda porque eu acredito muito na assinatura, cada profissional realiza o serviço de uma forma e esta forma é que vai agradar ou não um cliente. Eu trabalho para me superar, eu não tento superar os outros, quando uma cliente gosta do que estou fazendo e eu supero aquilo, quando eu entrego um serviço superior a expectativa da cliente, com a superação tem a fidelidade da cliente.

Como você vê a igualdade entre homens e mulheres? Eu acredito que o preconceito, o machismo já não é tão forte hoje em dia. Ganha bem quem se destaca no mercado, conheço homens que fazem unhas e ganham absurdamente bem, muito mais do que eu ganho, assim como conheço mulheres que ganham muito menos o que eu ganho. 

Com envolvimento das mulheres em todos os setores econômicos, como você vê a participação da mulher no desenvolvimento de Peruíbe? Fundamental! Observamos atualmente que aquele emprego, aquele valor  já não é o suficiente para a mulher, e ela vai pra cima em busca de um novo espaço, elas já não são mais do lar, aguardando o sustento do marido, elas vão a luta, são empreendedoras, donas do próprio negócio gerando renda e empregos.

Como você concilia profissão e família? Eu ainda não sei! (risos) Sou empreendedora, gerente, pois tenho todo um trabalho em equipe, sou mãe, dona de casa, esposa e tenho os meus cachorros… e não sei existe um método para lidar com tudo isso.

O que você acredita que falte no município? Creio que falta um comércio mais desenvolvido, faltam lojas especializadas, falando não só em meu ramo de atividade, mas, a região tem muitos profissionais que geram uma demanda por produtos especializados que são adquiridos em outras cidades como São Vicente por exemplo.

Ping-pong

Local de nascimento: Jequié/Ba.
Idade: 30 anos. / Algum apelido? Não.
Qualidade: detalhista / defeito: sou bagunceira.
Qual a sua ideia de felicidade? Ter o conforto de não faltar nada na mesa nem para mim, nem para minhas filhas, para minha família.
Pratica atividade física, qual? Funcional.
Um local de refúgio? Minha cama, Netflix.
Uma flor: Orquídea / animal: Cachorro.
Uma lembrança de infância: Correr e brincar na Bahia. / O que o irrita? Desigualdade.
O que você considera a sua maior conquista? Minha família, meu trabalho.
Um sonho de consumo não realizado: Não.
O que toca no som do seu carro? Reggae e eletrônico. / Uma viagem: Cancún.
Prato preferido: Arroz com carne moída.

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