06/04/2020 às 12h55min - Atualizada em 06/04/2020 às 12h55min

O Fundo foi para o espaço?

José Renato Nalini
A Amazônia, com carradas de razão, é uma preocupação mundial. Basta um pouco de leitura e ouvidos atentos para a comunidade científica internacional para a inevitável conclusão de que o planeta precisa dela, o quão possível intacta, para não abrasar em fogo. O aquecimento global não é lenda. É uma evidência comprovada e causadora de transtornos que muitos povos já experimentam. Inclusive o Brasil.

            Há tempos iniciou-se a escalada de destruição do verde, sob argumento de que a floresta impede o aumento da produtividade. Não é verdade. Ao menos, não é uma verdade absoluta.

            Há inúmeras glebas que foram abandonadas, naquela exploração bem insensata, própria de quem só pensa no “hoje” e se esquece do “amanhã”. Primeiro destrói-se a cobertura vegetal que levou milhares de anos para adquirir essa consistência. Depois incendeia-se. Em seguida, planta-se soja, ou cana-de-açúcar. Depauperada a terra, ela vira pasto. Quando o pasto acaba, o território é um deserto.

            Em lugar de recuperar essas áreas, prefere-se continuar a devastar. Ignora-se o tesouro incalculável da biodiversidade, sequer ainda inteiramente conhecida, mas já condenada à extinção. Países civilizados se interessam pela salvação da última grande floresta tropical, que não é só brasileira. Ela pertence – territorialmente – a vários países. Mas, como fator de equilíbrio do clima e do regime de chuvas, ela interessa a toda a humanidade.

            Com a notícia do “liberou geral”, cujo termo inicial foi a revogação do Código Florestal, recrudesceu a onda devastadora. Foi o suficiente para que a Alemanha deixasse de repassar 155 milhões de reais e a Noruega também suspendesse 133 milhões, recursos do “Fundo de Proteção à Amazônia”.

            Na mesma semana, anunciou-se que faltava dinheiro para quase tudo, principalmente para funcionar a inflada estrutura funcional da União onipotente. O anúncio foi noticiado pela mídia espontânea e repercutiu nas redes sociais. O incrível é que o Brasil tenha rechaçado a contribuição estrangeira. Como se estivéssemos nadando em ouro.

            Pobre Pátria que viu crescer a miséria, o desemprego, o desalento e a incapacidade de enxergar o que se passa num planeta cada vez mais frágil e cada vez mais negligenciado, principalmente por parte daqueles que têm o dever legal, a obrigação patriótica, a responsabilidade ética por entrega-lo em condições de sobrevivência digna para os que ainda não nasceram.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT-Thomson Reuters. 
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